INÍCIO…

Todos os inícios são dolorosos, de medo e angústia.

Todo os inícios são nebulosos, de incerteza e dúvida.

Todos os inícios são oportunidade, são promessas de sonhos.

Algum dia, é hora de iniciar… fazer crescer para, depois, colher!

 

As primeiras apreciações críticas, realizadas em contexto de avaliação escrita, por alunos de 10 A e 10 B

 

Cada olhar é único!

Dinis Valente Miguel | 10A

A «estrada» do Amor

   No cartoon «correntes», da autoria de Mordillo, observa-se um cruzamento de estradas, baralhadas e confusas, e duas pessoas, uma em cada ponta, a correrem em direção ao centro. Da cabeça de cada uma saem corações.

   Com este cartoon, percebemos que aquelas pessoas que correm estão apaixonadas, daí os corações a saírem de suas cabeças. A estrada confusa, de difícil acesso ao outro lado, poderá significar as dificuldades e a confusão que o amor nos traz e nos faz passar.

   A dificuldade e a confusão poderão representar todos os sentimentos que surgem quando estamos apaixonados, incluindo a tristeza, por causa da saudade, a dúvida e a insegurança. É isso que torna a tal «estrada» do amor difícil e, por vezes, impossível. Por fim, este cartoon aproxima-se das cantigas de amigo e de amor, poemas onde tanto a donzela (na cantiga de amigo) como o trovador (na cantiga de amor) sofrem de amor, pela dúvida, pela saudade ou por ser impossível.

   Concluindo, o cartoon alerta-nos exatamente para as dificuldades do amor: a dúvida, a saudade e a insegurança são formas do sofrimento amoroso. Por vezes, o amor é impossível, logo a estrada é difícil e de (quase) impossível acesso.

 

Eduarda Gomes | 10A

   «Correntes», o cartoon da autoria de Mordillo, ilustra um caminho todo embaraçado no centro. Em cada extremo desse percurso confuso, há uma pessoa a correr na tentativa de se juntar a alguém, que se encontra na outra extremidade. Atrás de cada uma, segue uma fileira de corações, mostrando o tema principal do cartoon, o amor ou a paixão.

   O autor relaciona o conceito «correntes» com o amor, porque, quando este sentimento é verdadeiramente forte, ficamos acorrentados à pessoa amada. O fundo preto confirma a intenção do autor. Sendo uma cor forte, o preto não cria distrações: amamos e queremos tanto uma pessoa que não pretendemos saber de mais nenhuma. O caminho todo embaraçado sugere que nem sempre é fácil o percurso que temos de fazer para ficarmos com quem amamos.

   Concluindo, este cartoon é uma das várias formas de interpretar a paixão que se sente por alguém.

 

Maria Leonor Morais | 10A

     No cartoon «Correntes» parece que o amor tem caminhos longos e difíceis, o que, em parte, é verdade.

     O cartoon apresentado tem uma dimensão social, uma vez que o amor está disponível para todas as pessoas, podendo ser conjugal, físico, platónico, parental, filial e fraternal. Há muitas formas de amar.

Na cena apresentada, estão dois bonecos a correr para passar rapidamente pelas estradas laranjas ligadas entre si por um longo e difícil percurso. Na verdade, este cartoon reflete a vida real e expressa uma crítica social. Os bonecos, que representam duas pessoas, têm de percorrer um caminho longo e difícil até ficarem juntos e em paz. Essas dificuldades podem ser amorosas, financeiras, ligadas ao preconceito. Mas os que conseguirem passar por esse caminho longo e difícil poderão ter paz e viver felizes.

     Em suma, o conceito de amor apresentado neste cartoon abrange as relações de hoje, que têm pela frente caminhos longos e difíceis, mas quem aguentar acabará por usufruir do sentimento lindo do amor. O amor existe desde que o mundo é mundo, é a força da humanidade. Infelizmente, as pessoas já não cometem loucuras saudáveis de e por amor. O amor, hoje, traduz-se muitas vezes em guerras, discussões, dor e lágrimas.

 

 

Bernardo Vinagre | 10 A

   No cartoon apresentado, cujo autor não é identificado, vê-se um rapaz no campo, apontando uma arma e, consequentemente, disparando uma série de palavras.

   Em princípio, o que parece evidente é que o rapaz «dispara» palavras sem grande expressividade; porém, o cartoon mostra que, por vezes, o gatilho para algum conflito pode derivar de uma única palavra. Se mal-usadas, as palavras ferem.

  As palavras foram algo descoberto por dádiva da nossa existência. Porém, além de serem muito importantes, esclarecedoras e até protetoras, podem servir como munição para ferir aqueles que (mal) conhecemos ou, simplesmente, de quem se despreza a existência. Mas seria esse o rumo que as palavras deviam tomar? Expressar verdadeiro entendimento e amor é tão fácil e simples como agredir pessoas verbalmente. Então, porquê? Porquê optar por muros verbais de maledicência ou sarcasmo? A resposta é só uma. Inveja. Esse sentimento que apodrece até as mentes mais fortes e corrói o ego de muitos. Faz disparar palavras… palavras que não podem ser vistas a olho nu, mas, por dentro da pessoa que é atingida, é doloroso.

   Resumindo, as palavras podem ser utilizadas de diferentes maneiras e, não sendo possível controlar o seu efeito, é necessário perguntar se queremos mesmo apontar a arma.

 

Rita Silva| 10A

   Há uma clara reflexão sobre as palavras e a sua intenção comunicativa, no cartoon apresentado.

   Na imagem, está representada uma criança, numa planície com terra. Essa criança segura uma arma de onde sai um «disparo» de letras e palavras. A expressão da criança é uma mistura de indiferença e confusão.

   O cartoon representa bem a ingenuidade e o impulso, tanto das crianças, como das pessoas em geral, ao usar as palavras. Daí o uso da arma, pois é como se tudo saísse num disparo, sem hesitação. É evidente que a escolha de ser um jovem a segurar a pistola tem um propósito. Representa a maneira como esta «munição», que são a fala e as palavras, nos é dada tão cedo e, por sermos imaturos e impulsivos, não a conseguimos usar bem.

   Concluindo, devemos usar as nossas palavras de forma pensada e responsável, e devemos aprender isso desde muito jovens.

 

 

 

Joel São Simão | 10B

   Neste cartoon de Agim Sulav, é possível ver uma mão que desenha pegadas.  Está, ainda, presente uma rede que impede a mão de chegar ao outro lado, onde as pegadas estão a ser desenhadas.

   Por um lado, esta mão poderá representar um artista que quer liberdade para fazer aquilo de que gosta. Por outro lado, a rede é a sociedade que pressiona o artista e lhe retira a liberdade de expressão.

  Efetivamente, o cartoon critica a falta de liberdade que muitos artistas experienciam. Eles são obrigados a agradar ao poder, nas suas diferentes formas. A cor cinzenta e monótona representa essa falta de voz, em que o artista desenha sempre a mesma coisa. Também poderá representar a ausência de paixão ao fazer a arte.

  De facto, o cartoonista tem intenção de mostrar o sofrimento que muitos artistas passam por não se poderem expressar e serem obrigados a agradar à sociedade, como se uma rede os impedisse de alcançar a liberdade e autonomia que desejam. As pegadas são a vontade do artista de fugir da pressão da sociedade e ser autónomo.

  Assim, o cartoon é uma crítica à vida monótona e sem liberdade de um artista que, preso atrás de uma rede, deseja fugir das amarras impostas pela sociedade.

 

Maria Elisa Costa | 10B

   Neste cartoon, vê-se uma pessoa com um lápis na mão a escrever atrás de uma grade, mas, em vez de letras, grava pegadas. A obra apresenta um retrato de artistas que deixam o seu marco na história, a sua pegada.

   Quando um escritor escreve, ele está a deixar uma memória sua, ou a de uma personagem. O artista deixa a sua marca para que, sempre que alguém leia, veja que uma pessoa já passou por ali e escreveu aquilo.

   Porém, o que significaria a rede? Talvez o bloqueio face à opinião da sociedade; ou, então, os que não puderam escrever durante um período de censura.

  A rede pode também ser uma forma de chamar a atenção das pessoas. Por esse ponto de vista, a rede é onde a pessoa está e não quer mostrar-se, tem um bloqueio, um medo, por trás dessa grade que separa as pegadas. O mundo vê o seu rasto, mas não o vê a ele.

   Em conclusão, esta obra tem diferentes interpretações, mas, do meu ponto de vista, transmite principalmente as ideias de bloqueio ou de uma marca deixada pelo ser humano. Desta forma, a obra leva-nos a pensar sobre o nosso lugar no mundo e sobre os limites que, muitas vezes, nós próprios criamos.

 

Inês Oliveira | 10B

   O cartoon de Agim Sulaj apresenta vários elementos dos quais os mais significativos são a rede; na parte de trás, mais escura, uma mão de um ser humano com um lápis; e, na frente, na parte mais iluminada, pegadas, que foram desenhadas no chão pela mão do ser humano que está atrás da rede.

   Este cartoonista faz uma crítica à forma como o ser humano se posiciona quando existe um obstáculo na sua vida. Neste caso, o obstáculo representado é uma rede por trás da qual o ser humano está, numa zona mais escura, mais sombria. Porém, mesmo com esse obstáculo, o humano decide desenhar pegadas como se estivesse a sair da escuridão.

   O “cartoon” enfatiza a atitude do humano que, mesmo trás da rede, continua a desenhar pegadas, que representam a ânsia de liberdade. E sublinha que, por mais que o ser humano queira sair da escuridão, se não fizer nada para alcançar esse objetivo, não terá resultados. Sem esforço não se alcança o que se deseja.

  Em suma, o cartoonista possibilita ao leitor várias hipóteses de interpretação que se podem resumir na seguinte ideia: nenhuma prisão nos pode impedir de sonhar.

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